Bailarina cientista da FCUP quer ajudar os portugueses a saber mais sobre o solo

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Ana Catarina Santos frequenta o doutoramento em Educação e Divulgação das Ciências e está a estudar a literacia do solo da população portuguesa. O objetivo é comunicar ciência através da dança.

Ana Catarina Santos, estudante da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), tem um projeto de doutoramento inovador que procura comunicar a ciência do solo através das artes e da dança. Do ballet clássico à dança contemporânea, a jovem investigadora é bailarina desde os 3 anos. Tem procurado conciliar as duas grandes paixões: arte e ciência. Entrou na FCUP para se tornar bióloga e decidiu trilhar caminho na Educação Ambiental.

Após concluir o mestrado em Ecologia e Ambiente, foi a diferentes escolas falar sobre o solo. Terminada esta fase, quis continuar para o doutoramento. “Sempre consegui conciliar estes dois mundos da arte e da ciência e não estava disposta a abdicar de nenhum deles”, desvenda. Foi então que surgiu uma ideia: “E se usar a dança para comunicar ciência sobre o solo?”

“Apesar da sua relevância para o funcionamento do planeta e para a qualidade de vida das populações, continua a ser um dos recursos naturais menos conhecidos e valorizados pela sociedade”, justifica a estudante do Programa Doutoral em Educação e Divulgação das Ciências.

Sob orientação da docente da FCUP e diretora do GreenUPortoRuth Pereira, a estudante está, nesta fase, a realizar um inquérito dirigido à população em geral. O objetivo é perceber o que sabem os portugueses sobre o solo.

O estudo continua, mas já há alguns resultados preliminares resultantes de 150 respostas já alcançadas. A realidade é desafiante: “embora exista uma perceção geral da importância do solo, ainda persistem algumas lacunas relativamente às múltiplas funções que desempenha, às ameaças que enfrenta e ao impacto que a sua degradação pode ter no ambiente e na sociedade”, sublinha.

“Estes primeiros dados reforçam a importância de desenvolver novas estratégias de comunicação científica capazes de tornar este tema mais próximo do quotidiano das pessoas”, acrescenta.

Ao cruzar ciência do solo, comunicação científica e dança, Ana Catarina Santos pretende contribuir para uma nova forma de comunicar conhecimento científico, demonstrando que compreender o solo não depende apenas da transmissão de informação, mas também da criação de experiências capazes de despertar “curiosidade, emoção e envolvimento”.

Ana Catarina Santos espera contribuir para aproximar a sociedade do conhecimento científico poderá ser um passo importante para a sua valorização e preservação.

A investigação que está a realizar tem uma forte componente interdisciplinar, reunindo especialistas das áreas da ciência do solo, educação e comunicação de ciência. O trabalho será em colaboração das Quintas Ciência Viva que serão também o “palco” para estas ações, de modo a chegar ao seu público e a stakeholders locais. O trabalho de Ana Catarina Santos tem a coorientação de Cláudia Marisa, da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE), e de Sandra S. Soares, da Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica.

Depois de no mestrado investigar o impacto ambiental das máscaras descartáveis, em plena altura de Covid-19, a estudante da FCUP espera agora sensibilizar a população através da dança.

Por: Renata Silva (FCUP)

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