Em Portugal para um espetáculo em Seteais, o bailarino do Royal Ballet em Londres admite querer regressar a Portugal e aprofundar a relação que começou a criar com a Companhia Nacional de Bailado. Já sobre a situação política, nacional e no mundo, lamenta os “nacionalismos” que criam um “ambiente hostil” para os artistas.
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Veio a Portugal atuar nos jardins de Seteais, mas a vontade de Sambé é ficar e fazer aqui boa arte. “Quero explorar o país”, admite em entrevista à Renascença.
O bailarino português – e um dos principais do Royal Ballet em Londres – escolheu o verão para trazer a Sintra um espetáculo baseado na sua carreira, mas que serve também para impulsionar e dar espaço a novos talentos. Sobre o Reino Unido – e a chegada de Andy Burnham ao cargo de primeiro-ministro para substituir Keir Starmer –, Sambém diz que as tensões sociais ficarão na mesma, já que são “muito profundas”. A maior? O “nacionalismo”, que até já “assusta” e é “hostil” aos artistas.

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Este espetáculo em Seteais é também uma forma de celebrar o seu percurso profissional com vários convidados. Quem é que podemos ver hoje e que ideias foram delineadas para este espetáculo?
Este espetáculo veio por convite da Solange Melo e da câmara de Sintra e é um festival que vinha de um histórico enorme e eu quis sempre fazer parte dele. E quando esta oportunidade surgiu de de poder fazer parte deste projeto, comecei a pensar na minha trajetória como bailarino, como comecei com repertório muito mais virtuoso.
Depois passamos para uma fase mais contemporânea, que é que é algo que eu amo fazer e que me inspira bastante. A peça do Wayne McGregor. E, depois, a fase final do espetáculo passa por uma pequena reprodução do bailado de La Bayadère, que é um bailado que eu nunca fiz por inteiro. Então é uma pequena estreia aqui em Portugal deste bailado.
E neste espetáculo participam vários bailarinos de grande renome, como a Mayara Magri, o Matthew Ball, que são bailarinos também principais do Royal Ballet Londres. E dois bailarinos que acabaram de entrar na companhia, muitos jovens, que são muito talentosos, o Emile Gooding e a Rebecca Stewart. E, depois, contamos também com a participação muito especial de 13 estudantes portugueses que já começaram a sua carreira profissional.
Há essa preocupação, com as novas gerações e com quem está agora a começar o trajeto artístico?
Penso que temos sempre de dar a mão e tentar fazer com que o talento em Portugal também se desenvolva em vários níveis. E com a sugestão da produção deste espetáculo, comecei a pensar em formas de abranger mais do que ser um espetáculo do Marcelino e Amigos. O que podemos fazer para que este espetáculo tenha um significado mais especial e que é que possa mudar talvez vidas ou ajudar bailarinos a lançarem-se?
A ideia foi surgindo e houve muito trabalho por detrás da equipa para conseguir fazer com que estas bailarinas dançassem ao nível que estão a dançar. E elas estão. O progresso foi enorme. Inacreditável. mesmo.
Como é que se nota no espetáculo em si esse cunho de diferentes gerações?

Acho engraçadíssimo porque sempre me habituei a ser o mais jovem bailarino. E, de repente, vejo me na posição em que já são bailarinos estabelecidos. Isso para mim é muito estranho e chocante, porque o tempo passa a correr e a carreira de bailarino é muito rápida, como devem imaginar. Olhamos para o lado e vemos miúdos de 17 e 18 anos, que acabaram de chegar à companhia e o meu instinto é de ajudar e dar espaço, porque já estive lá: parece que há dois anos estava na mesma posição que eles, mas já passaram bastantes anos.
Este espetáculo também é sinal dos curtos passos que já vai dando como coreógrafo? Tem essa componente de criação artística?

Foi bastante interessante ter tido a liberdade de ter pensado em repertório e bailarinos. Foi sempre algo que eu queria experimentar e ter a oportunidade de o fazer neste espetáculo. Foi incrível. Tem de ser bem estudado: é um “bouquet” de flores tem que ser bem equilibrado. E, portanto, neste espetáculo não tive a oportunidade de criar, fazer uma criação original minha. Mas só o facto de poder ter posto criado este buquê com os diferentes bailarinos do repertório, já é uma forma criativa que abrange mais do que só eu a dançar.
Pensa regressar a Portugal?
Tenho tido uma oportunidade incrível de trabalhar com a Companhia Nacional de Bailado. Estou em processo de criação para um bailado que vai acontecer em outubro, inspirado no livro de Fernando Pessoa ou Bernardo Soares, “O Livro do Desassossego”.
O facto de estar a trabalhar cá em Portugal, estar a ver os bailarinos, estar a ver como a companhia trabalha, como tudo o que está por detrás, faz me pensar que eu gostaria imenso de voltar a Portugal e ter a oportunidade de trabalhar mais cá, explorar o país.
Explorei Sintra estes últimos dias e a magia é inacreditável: não se via em outro país. Eu tenho a oportunidade de viajar imenso, mas só quando chego a Portugal sinto um carinho enorme do público nas pessoas. O abraço, o beijo é muito, muito português. Também e faz muito parte de mim. Então sinto me em casa. Portanto, quero voltar para casa, claro.
Já disse sentir alguma pressão maior sobre a questão da identidade em Londres, no Reino Unido? De alguma forma, as mudanças políticas que vão ser agora nos próximos tempos, a mudança de Primeiro-Ministro pode alterar alguma coisa?
Acho que é uma questão bastante mais profunda. Eu penso que Londres e Inglaterra está a passar por uma fase complicada politicamente. E nós, como artistas, sentimos isso: estarmos em palco é uma ação política. É algo que me aflige.
Gostava de ter mais estabilidade?
Exato. Como artista, tenho de estar com muita atenção no que está a acontecer fora do nosso pequeno quadrado de conhecimento.
Esse tipo de sentimentos de instabilidade foi aprofundado com o Brexit?
Sim. E sentimentos de nacionalismo que é algo superperigoso. Quando vejo este sentimento de nacionalismo e de divisão, assusta-me bastante, porque é algo que não só acontece já no Reino Unido, mas está a começar a acontecer noutros países – até aqui! O que me deixa sempre um pouco triste.
Temos de fazer todos uns pelos outros, não tentar dividir nem pensar em raças e em divisão. Sinto como que começo a sentir um pouco de instabilidade nessa área.
É mais hostil?
Sim. É menos confortável.
Nos próximos espetáculos, toca nesses temas?
Quando leio o Livro do Desassossego, vejo bastante sentimentos sobre essa divisão, sobre estes temas de exclusão. Esse espetáculo terá esse sentimento e essa luta de querer unir. Já no meu repertório em Londres deste próximo ano e um pouco mais, estamos mais nos clássicos ainda.
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Valverde Sintra Palácio de Seteais

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Um momento histórico nos jardins do Palácio. @marcisambe lidera mais uma edição dos bailados em Seteais. Primeiro bailarino do Royal Ballet de Londres, e uma das maiores referências Portuguesas da dança internacionalmente, conta ao seu lado com bailarinos jovens e consagrados da Royal Ballet. Hoje e amanhã, nos jardins de Seteais, a partir das 19h.
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A historical moment in the gardens of the Palace. @marcisambe leads another edition of the Bailados em Seteais. A principal dancer with The Royal Ballet in London, and one of the premier Portuguese references in worldwide dance, he has by his side a host of young and decorated dancers from The Royal Ballet. Today and tomorrow, from 7PM.
#bailadosemseteais #palaciodeseteais #valverdehotels

It was absolutely beautiful, thank you!! ❤️❤️

Sonho ❤️🩰🧑🏻🩰

Foi um espectáculo maravilhoso!!!
A beleza de Seteais enquadrada num sereno final de dia, a linda performance dos bailarinos, o talento do Marcelino Sambé, tornaram esta experiência única e memorável!
Parabéns pela organização dos shuttles! Tudo muito fácil, tranquilo e rápido!
A repetir 💚

foi lindo 🙂

👏👏👏

Extraordinário, como sempre!❤️❤️❤️

❤️

Fabuloso!

🔥🔥🔥

Eu adorava que repetissem… porque ainda tentei comprar, mas já não consegui bilhete ❤️❤️🍀🍀

Foi lindo. Obrigada 👏🏻

🤍🤍🤍

Foi magnífico. Obrigada aos Bailerinos todos. Obrigada Marcelimo Sambe. Obrigada ao Valverde que abriu o seu espaço para esra magnífica atuação

Maravilhoso!!! Para além da técnica, da emoção e da beleza. A empatia, humildade e proximidade dos artistas foi de reforçar . Autenticidade e humanismo. Vou guardar esta experiência nas memórias especiais. Parabéns a todos e obrigada.

❤️maravilhoso
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Gostos: antonio_laginha e 1214 outras pessoas

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